Incêndio atinge prédio da UFPE, destrói pesquisas e ocorre horas após relatos de ameaças a estudantes
Fogo atingiu laboratórios da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, no Recife; causa ainda é desconhecida e possível relação com ameaças não foi confirmada pelas autoridades.

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. As chamas alcançaram a estrutura da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), onde funcionavam laboratórios ligados às áreas de fármacos, informática e genética. O Corpo de Bombeiros mobilizou equipes para combater o fogo, que foi controlado completamente somente na manhã desta quinta-feira (8). Não houve registro de vítimas.
O prédio concentrava equipamentos, amostras e dados relacionados a pesquisas científicas desenvolvidas pela universidade. Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o espaço reunia cerca de R$ 100 milhões em equipamentos e armazenava materiais de pesquisas acumulados ao longo de até 20 anos. Entre os estudos afetados estão trabalhos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, doenças mentais e doenças raras. Ainda não há um levantamento definitivo sobre o tamanho das perdas, que também atingem projetos de estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A ocorrência ganhou uma dimensão ainda mais delicada após relatos de ameaças recebidas por estudantes horas antes do incêndio. O deputado federal eleito por Pernambuco Jones Manoel (PSOL) afirmou ter recebido informações de alunos que teriam sido alvo de mensagens ameaçando setores da universidade. Segundo o parlamentar, uma das mensagens mencionava a possibilidade de “explodir o departamento” e fazia referência ao nome do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Os relatos também foram divulgados nas redes sociais e passaram a ser considerados na cobrança por uma investigação sobre o episódio.

Apesar da proximidade temporal entre as ameaças relatadas e o incêndio, não há, até o momento, confirmação oficial de que os dois fatos estejam relacionados. A causa do fogo ainda não foi esclarecida, e as autoridades deverão analisar as condições do imóvel e os elementos encontrados no local para determinar a origem das chamas. Por isso, a possibilidade de uma ação criminosa ou de motivação política não deve ser tratada como fato neste momento.
O caso também chama atenção porque ocorreu poucos dias depois de outros incêndios registrados dentro da própria UFPE. No domingo (4), um incêndio atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Em 30 de setembro, outro fogo havia atingido um laboratório do Departamento de Física. Segundo informações da universidade, não houve vítimas nesses episódios. No caso anterior, a suspeita inicial era de que as chamas tivessem começado em um forno mufla utilizado em atividades laboratoriais.
Diante do novo incêndio e dos relatos de ameaças, autoridades passaram a cobrar uma apuração rigorosa. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o MEC acompanha o caso e colocou a pasta à disposição da universidade. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também determinou que a Procuradoria-Geral Federal designe uma comissão de procuradores para acompanhar as investigações e adotar as medidas cabíveis, caso sejam identificadas irregularidades.
A UFPE informou que lamenta os danos provocados principalmente às pesquisas científicas e que o reitor Alfredo Gomes acompanhou o trabalho dos bombeiros no local. A universidade deverá realizar um levantamento dos prejuízos e das pesquisas afetadas. Enquanto isso, o prédio permanece sob avaliação, e as circunstâncias que provocaram o incêndio seguem sem esclarecimento oficial.



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