Navi Pillay vence o Nobel da Paz 2026 por atuação em defesa do direito internacional
Jurista sul-africana foi reconhecida por sua trajetória na defesa dos direitos humanos e pelo trabalho em tribunais internacionais.

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi anunciada nesta sexta-feira (9) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. A escolha do Comitê Norueguês do Nobel reconhece sua atuação na promoção da paz e do direito internacional, especialmente na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Nascida em Durban, na África do Sul, em 1941, Pillay construiu sua carreira em um contexto marcado pelo apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a estabelecer um escritório de advocacia na província de Natal. Ao longo de sua trajetória, atuou na defesa dos direitos humanos e de pessoas perseguidas durante o regime segregacionista.
Sua experiência jurídica ganhou projeção internacional com a atuação no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde foi juíza e presidente. Durante esse período, participou de um processo histórico que reconheceu a violência sexual como uma possível forma de genocídio, quando praticada com a intenção de destruir um grupo protegido. Posteriormente, também atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional.
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mais recentemente, presidiu uma comissão independente de investigação da ONU sobre o território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, entre 2021 e 2025. Desde 2019, também atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça, no processo que envolve acusações de genocídio contra Mianmar pela perseguição à população rohingya.
Ao anunciar a premiação, o Comitê Norueguês do Nobel destacou a contribuição de Pillay para o fortalecimento das instituições jurídicas internacionais. Segundo o comitê, sua trajetória demonstra a importância do direito e da responsabilização por violações graves para a construção de uma paz duradoura, em um cenário de crescente pressão sobre organismos internacionais.
A cerimônia de entrega do Nobel da Paz está prevista para 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega, data tradicional das celebrações da premiação. A escolha de Navi Pillay destaca o papel da Justiça internacional na defesa dos direitos humanos e na busca por responsabilização diante de conflitos e violações graves.



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